Playing for Change e o imaginário desterritorializado – Dani Keller

10 05 2009

Mais uma vez  me pego pensando sobre as fronteiras (ou a falta delas) do imaginário dos indivíduos da atualidade. 

O vídeo abaixo demonstra uma campanha chamada Playing for Change que tem por idéia original, envolver o mundo através da música, buscando uma ação comum de luta para uma mudança da realidade atual. Muito provavelmente, seja uma resposta à necessidade emergente de busca por algo que nem conhecemos ainda, mas deixemos esta hipótese para um outro post. Assim, indo um pouco além, questiono: o que faz com que pessoas de realidades tão singulares,  de diferentes locais do mundo, diferentes classes, diferentes esferas sociais e, principalmente, diferentes culturas sintam a necessidade de uma mesma coisa e juntam-se na luta desta causa.

Ok, todos concordamos que o mundo precisa de mudanças, mas será que o índio do Novo México tem a mesma necessidade do sambista do Rio deJaneiro? E, na verdade, não discuto aqui o que faz com que eles tenham um engajamento comum, mas procuro refletir o fenômeno que os faz sentirem pertencentes ao mesmo meio, mesmo que estejam inseridos em culturas totalmente distintas. 

Uso este vídeo para convidar para uma reflexão sobre este fenômeno que nos faz partilhar idéias, pensamentos, motivações, necessidades, com pessoas que nem sequer entendem as regras morais da cultura na qual estamos inseridos.  Ainda é possível perceber uma questão  mais complexa que se volta às  fronteiras culturais , no sentido de que já não são mais tão fronteiras assim e já não dificultam a troca entre as “sociedades”. O imaginário ultrapa territórios políticos, culturas, religiões e até fuso – horários e estabelece uma nova sociedade desterritorizalizada. 

O termo adaptado “desterritório” se refere a um fenômeno que não obriga que o indivíduo abra mão do meio no qual está inserido, sua cultura ou suas características sociais. Pelo contrário, é exatamente através da afirmação destas questões é que ele estará contribuindo para o surgimento de uma sociedade em comum, que se materializa no imaginário dos indivíduos de diferentes territórios.

Assim, deixo um dos vídeos da campanha e os convido para uma reflexão (talvez sem respostas) sobre este compartilhamento de ideais entre diferentes culturas.  A ferramenta de motivação para este movimento em específico é óbvio e qualquer dedicação de análise mais sensível já nos traria, pelo menos, uma luz em direção à resposta. Mas convido a um passo adiante que possa vislumbrar uma possibilidade de análise deste fenômeno e da maneira com qual ele se estabelece em nosso cotidiano. 

Será que estamos voltando a viver em um continente único como tinhamos a Pangéia na era Mesozóica? Acredito que a questão se dê bem mais através dos aspectos psicológicos … portanto: onde foram parar nossas fronteiras físicas ou culturais? O que faz com que o músico de Moscow perceba as mesmas necessidades de transformação mundial que os músicos da Africa do Sul?  


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